A CARIDADE
Desde o ano passado eu tenho me questionado a respeito da minha conversão e por isso oro, pesquiso, estudo, medito a Bíblia, as homilias durantes as missas, os sites católicos na internet, livros, e conversando com as pessoas que conheço.
É engraçado como tudo acontece na minha cabeça... Imaginem uma receita qualquer. Bom, primeiro a gente reúne todos os ingredientes na mesa, que é para facilitar e ter tudo à mão; depois a gente vai misturando cada ingrediente, aos poucos e devagar, para aí sim, bater vigorosamente por uns bons minutos e colocar na assadeira, e só aí vai para o forno descansar e formar um delicioso alimento.
Assim acontece comigo, e por isso fico semanas e meses acrescentando informações, misturando textos, versículos, relacionando fatos, testemunhos, e então, eis que aparece do fundo do coração, o aprendizado. Ele vem forte, enraizado, e aí eu preciso “botar prá fora” de alguma forma o que aprendi, tão impetuoso que surge o pensamento e por isso preciso escrever.
Eu acreditava ser uma pessoa caridosa, e fiquei decepcionada quando descobri o contrário... Minha mãe era uma “filha de Maria”, e sempre me ensinou ajudar a quem precisava, visitar doentes, rezar pelos necessitados, e eu cresci achando que isso era caridade. Isso tudo pode ser caridade sim, mas depende de um coração puro e consciente. Lembra quando Jesus disse: “...se não vos tornastes como crianças, não entrareis no reino dos céus...”(Mt 18, 3); as crianças são até desconcertantes às vezes na expressão dos seus sentimentos: elas dizem “eu gosto” com a mesma naturalidade que dizem “não gosto”, e continuam brincando, alegres e em paz.
Quando praticamos obras de misericórdia como prescreve a Igreja, elas precisam estar repletas dessa caridade ou nada acrescentarão a nossa vida, será apenas esmola (“eu vou te dar porque tenho mais, sou melhor”), desobriga de “pseudocrístão” (“eu vou te dar porque é ordem da Igreja”), ou apenas um palco para a exibição da vaidade (“vejam como sou bonzinho, como ajudo a quem precisa”).
Jesus não disse: “Eu sou o Filho de Deus, sou o maior e por isso faço tantos milagres”. O que Ele disse foi: “Assim como o Pai Me amou, também Eu vos amei. Permanecei no meu amor.” (Jo 15, 9). E o que é a caridade senão o amor que nos une a Jesus? Claro, porque Ele nos amou de tal modo que deu a Sua vida para nos salvar. Ele disse sim a Deus Pai. E Deus Pai, então? O que Ele deu para nossa salvação? Seu único Filho. Você daria a vida de um filho seu para salvar outras vidas? Isso é caridade: dar com amor e alegria, daquilo que você tem e preza.
E Jesus disse mais: “É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei.” (Jo 15,12). Amar desse jeito é amar como as crianças: sem interesse, amar porque simplesmente ama amar, porque sente alegria em amar.
Analisando a minha vida descobri que dei muita esmola, acariciei bastante meu ego, mas descobri que também pratiquei caridade, essa caridade verdadeira. E quando isso me aconteceu, eu colhi os frutos dos quais guardo até hoje o doce sabor: alegria, paz, amizade, comunhão...
São Paulo fala que “a caridade é paciente, benigna; não é invejosa, nem altiva ou orgulhosa; não é inconveniente e nem procura o próprio interesse... tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” (1Cor 13, 4-7)
Realmente o que São Paulo ensina leva-nos à comunhão fraterna, mas precisamos ter coragem ao olhar bem para dentro de nós e perceber o verdadeiro sentimento que nos impulsiona a praticar um ato de caridade. O ser humano tem a tendência de ser benevolente consigo próprio, se ver como pessoa boa e solidária.
Apreendi disso tudo que caridade é a expressão do amor através das obras praticadas. Aprendi que o amor é o princípio, o meio e o fim. A caridade é uma declaração de amor a Deus-Pai, que tudo criou para nós; olhe prestando bastante atenção em cada detalhe na natureza, por exemplo, a riqueza da diversidade humana, o funcionamento do corpo humano, etc...
É também uma declaração de amor a Jesus Cristo, que nos amou primeiro, e com um amor radical, tão intenso que nos deu a graça da irmandade ao lavar com Seu sangue precioso os nossos pecados.
Senhor quero me consumir de amor. Amor à Santíssima Trindade; amor aos meus irmãos, e assim, com a Vossa graça, poder um dia, descansar na Vossa presença. Paz e bem!
Texto: Marli Parizotto
Olá pessoal tenho postado em meu blog texto enviados a mim por paroquianos, porque os considero uma grande riqueza e não quero guardá-los só para mim... por isso estou partilhando sabedoria... e isso me concede uma alegria muito grande. Abraço e que Deus abençoe a todos!!!
Pe. Anderson